Domingo, 18 de Dezembro de 2011

Voluntariando ...

A minha integração na equipa de voluntários da RONDA DOS SEM ABRIGO do Porto surgiu um pouco ao acaso, numa conversa e através de uma "nova" amiga.

Devemos olhar para o Futuro, pois o Futuro é tão brilhante como a nossa Bondade... Vida e morte. Morte e vida. Nascer e morrer. Morrer e nascer. Não há diferença, mas... viver sem um tecto, sem comida, ao frio... Que vida é esta? ... Este foi um dos motivos que me levou a ser voluntária. Já a experiência foi a vários níveis bastante gratificante, estou e fiquei muito feliz por os ter ajudado, de lhes ter dado uma palavra amiga, de lhes matar a fome, de os aquecer e principalmente de lhes ter proporcionado alguma alegria.

Este dia, ficará marcada para todo o sempre pois para mim a SOLIDARIEDADE é um ato de generosidade apenas com a finalidade de ajudar.

É como dizia São Francisco de Assis
" É DANDO QUE SE RECEBE"...


Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Domingo, 9 de Outubro de 2011

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Estava Escrito 21 (Dom Hélder Câmara)

Dom Hélder Câmara, um grande defensor dos pobres, propagador da não-violência e o único brasileiro que foi indicado quatro vezes para o prémio Nobel da Paz, descreveu a dicotomia de interpretações das actuações pessoais na sua incansável, admirável e inspiradora vida pública, quando mencionou a seguinte expressão:

- “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.”

Terça-feira, 28 de Junho de 2011

A imensa alegria de servir

Toda natureza é um desejo de serviço.

Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.


Onde houver uma árvore para plantar,planta-a tu. 

Onde houver um erro para corrigir,corrige-o tu. 
Onde houver uma tarefa que todos recusem,aceita-a tu.


Sê quem tira:

a pedra do caminho,
o ódio dos corações
e as dificuldades dos problemas.



Há a alegria de ser sincero e de ser justo.
 
Há, porém, mais do que isso,
a imensa alegria de servir.



Como seria triste o mundo
se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!



Não te seduzam as obras fáceis.
 

É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar.


Não cometas, porém, o erro
de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras.


 Há pequenos préstimos que são bons serviços:
enfeitar uma mesa.
Arrumar uns livros.
Pentear uma criança.



Aquele é quem critica,
este é quem destrói;

 sê tu quem serve.



Servir não é próprio dos seres inferiores: 
Deus, que nos dá fruto e luz,serve.
Poderia chamar-se: O Servidor.
 

E tem os Seus olhos fixos nas nossas mãos
e pergunta-nos todos os dias:
 

Serviste hoje?

Sábado, 25 de Junho de 2011

Domingo, 19 de Junho de 2011

Este Domingo é a vez do grupo 1.


Hoje levo os meus primos Liliana e Johnny que não moram em Portugal e por isso quis mostrar-lhes um pouco da nossa cidade do Porto diferente dos olhares comuns.

Infelizmente não nos deram uma quantidade razoável de doces e salgados, o que nos deixa sempre tristes.

Eram quase 21h quando chegamos à garagem com os bolos.

Já lá estavam o Fernando, a Manuela, o Miguel, as Noémias, o Sr. Lima e a Fátima.

Estavam a tratar das sandes e dos sacos ternura então, comecei a separar os doces dos salgados.

Tivemos alguma dificuldade em conseguir ter doces e salgados para os sacos ternura mas tudo se resolve.

No final, restaram poucos doces para distribuir pelos nossos amigos.

Entretanto, apareceu a Cátia.

Falamos do nosso piquenique no dia 9 de Julho e esperamos haver uma maior aderência em relação ao ano passado.

Fizemos a nossa oração e fomos ao Tangerina tomar um café.

De seguida, iniciamos a nossa jornada, paramos na Avenida da Boavista, alguns foram ao Hospital Sto. António e Rua Escura enquanto os restantes aguardaram em Mouzinho da Silveira.

Já todos novamente seguimos para o Bairro do Cerco.

Ultimamente tem aparecido muito mais mulheres, algumas delas com crianças pequenas e outras grávidas.

Daqui fomos para o Bairro do Aleixo. Estava muita gente na rua.

Com poucos bolos para dar e só podendo dar um a cada um deles originou um pouco de confusão. Mas tudo se resolveu com alguma calma.

Nota-se que maioria deles estão com muita fome. Vemos sempre caras novas.

Contudo, à uma cara que já nos é familiar algum tempo, a Denise, uma rapariga mulata muito bonita que, infelizmente, ao longo destes dois últimos anos tem vindo a deteriorar-se imenso.

Já há alguns meses que a cara dela tem imensas feridas. Neste momento parece um cadáver com uma pele em cima. Já tem dificuldade em comer. Disse à Manuela que não queria morrer sem comer esparguete com carne e queijo ralado. A Manuela vai levar-lhe a esparguete no próximo Domingo.

Depois de nos despedirmos fomos para o PT. Foram aparecendo aos poucos.

Já não tínhamos muito para dar além dos sacos ternura. Nada de bolos e somente meio saco de sandes, algum leite e café.

Mesmo assim, penso termos conseguido saciar um pouco da fome deles.

No final, fizemos a nossa oração final no PT.

Vou deixar aqui também uma oração para nossa amiga Denise que os dias dela aqui neste mundo estão a terminar.

Que se aguente para poder comer a maravilhosa esparguete que a Manuela vai preparar com muito amor. Que passe destes dias de sofrimento, neste mundo, para alguma paz e amor. Os seus amparadores lá estarão à espera a ajudar nesta passagem com o menor sofrimento possível.

Denise, nosso pensamento e amor estão contigo. 

Namasté.

Amor em Flor
Rute

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

E cá estamos nós...


E cá estamos nós, mais uma vez, para um dia de ronda.

Apesar de sabermos que vamos deitar tarde nesse dia e o dia seguinte ser dia de trabalho, estamos muito felizes por poder partilhar com todos nossos amigos da rua, comida e amor e também por vermos os nossos companheiros desta jornada – Fátima, Cátia, Noémia 1 e 2, Miguel, Ritinha, Sr. Lima, Sr. José Manuel – somos uma família!

Hoje temos a companhia da Nélita que, normalmente, faz a ronda com o grupo 2.

Eu e a Cátia, como costume, chegamos mais tarde pois, passamos antes pelas confeitarias Nobreza e Magalhães buscar os doces e salgados que gentilmente nos são dados.

Começa a chover imenso temos de preparar tudo dentro da garagem.
Todos felizes por mais um reencontro de família, a brincadeira entre todos é constante enquanto preparamos os sacos ternura, as sandes e bolos!

Hoje temos muitos doces, salgados e imenso pão. Tanto pão que o Miguel teve de ir ao comprar mais manteiga e marmelada.

Depois de tudo pronto, lá vamos nós começar nossa jornada mas antes ainda fazemos um pequeno desvio para um café e pipi.

Hoje as 4 vão no mesmo carro. Que maravilha!

Findo o desvio, começamos com uma paragem na Av. Boavista e depois seguimos para Rua Escura.

A chuva parou, nosso amigo S. Pedro, sempre a ajudar-nos.

Depois de todos terem levado o seu saco ternura e algumas sandes, comerem um docinho e tomarem café e/ou leite com chocolate, e escolherem roupa na “Boutique da Manuela”, acabamos nossa etapa e rumamos para o Bairro do Cerco.

Já muita gente nos espera. 
Neste bairro muito deles têm algum sítio onde dormir mas têm muitas carências. Aparecem muitas jovens, algumas delas com crianças pequenas ao colo, outras grávidas. Aqui, temos sempre um “cliente” especial – o Sr. Vítor – já sabemos que broa e pão simples é para ele. 
É uma pessoa com muitas necessidades, fome e humildade.
Outra etapa, terminada. E já é 1h da manhã.

Próxima paragem – Bairro do Aleixo. 

Também muitos deles já estão à nossa espera. Aqui as pessoas são diferentes, com outras necessidades. Encontram-se num outro patamar de pobreza, a todos os níveis.
Aparecem pessoas novas, algumas mulheres que, infelizmente já sabemos qual o destino delas nos próximos tempos. Também vimos jovens rapazes que nota-se serem novos naquelas andanças. Que vontade de arrancá-los daquele sítio, de poder-lhes oferecer um sítio bem melhor que aquele!

Depois de aguardarmos por alguns que já sabemos chegar sempre mais tarde, acabamos nossa etapa e seguimos para o PT.

Se o Aleixo não é o melhor sítio da cidade do Porto, o PT ainda consegue ser pior.

Neste local estão aqueles que nada mais esperam da vida se não, a dose seguinte.
Aqui, também aparecem caras novas, infelizmente. 

Hoje, estamos muito felizes pois, conseguimos ainda ter muitos sacos ternura para dar, assim como doces, sandes, leite e café. Nos domingos que chegamos aqui e pouco nos resta para oferecer, é um aperto no coração!

Terminada aqui a nossa missão, vamos para um local mais à frente para fazermos nossa oração de despedida.

No relógio já marca 3h da manhã. 

Despedimo-nos de todos já com muitas saudades.

Mais uma ronda cumprida e apesar do avançar da hora todos vamos para casa com um sorriso nos lábios e coração cheio de amor.

Amor em flor

 (Rute Nogueira)

Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Ante os testemunhos

Segundo o Evangelho, na iminência de Seu martírio, Jesus dirigiu-Se ao Getsêmani com os discípulos. 
Acompanhado de três deles, afastou-Se um pouco para orar.
Declarou-Se triste, pediu que vigiassem com Ele e orou.

Absolutamente tudo o que Jesus fez durante Sua jornada terrena é pleno de significados. Ele é o Modelo e Guia dado por Deus à Humanidade. Forte como nenhum homem jamais o foi, por Suas virtudes, mas ainda assim sujeito às intempéries da vida terrena.

Em face do grande testemunho que se avizinhava, esse Homem Superior lançou mão de duas providências.

Primeiro, cercou-Se de Seus amigos queridos e partilhou com eles Suas angústias.

Segundo, entrou em contacto com a Divindade por meio da oração.

No mundo, o homem está sempre às voltas com testemunhos. Em sua fragilidade, a cada instante é colocado à prova. Diferente de Jesus, pleno de pureza, bondade e sabedoria, o homem comum está sujeito às tentações e às dúvidas. Frequentemente se indaga a respeito de qual o melhor caminho a seguir. Hesita, sente-se fraco e teme não conseguir vencer as provações. Mesmo quando decidido, às vezes fraqueja ao colocar em prática suas boas resoluções. Essencialmente frágil, o ser humano não se debate apenas com dificuldades pontuais. Diariamente, ele corre o risco de cometer pequenos e desnecessários equívocos. Não se trata de pintar um quadro desanimador, mas de ser realista. O bem é sempre possível e ele invariavelmente ilumina e pacifica. Apenas, por vezes, as tentações do mundo se apresentam bastante sedutoras. Nesse contexto, convém recordar o sábio exemplo de Jesus.

Em Sua grandeza, Ele não abdicou de dois sublimes recursos: a oração e a amizade.

A oração coloca o homem em ligação com o Divino. Faculta que ele receba salutares inspirações e se fortifique. O hábito de orar constitui um eficiente antídoto contra as loucuras do mundo. Mas, nessa busca do Alto, importa não esquecer os companheiros de jornada. As amizades sinceras aquecem o coração e reduzem as carências e fragilidades. É importante aprender a partilhar as próprias dificuldades e sonhos com algumas pessoas de confiança. Esse processo de narrar os conflitos íntimos a Deus e ao próximo faculta o auto-conhecimento.

Se algo parecer muito vergonhoso para ser partilhado com um amigo querido, é porque jamais deve ser colocado em prática. Assim, ante seus testemunhos diários, ligue-se a Deus e a seus amigos.Trata-se de uma valiosa estratégia para que vença a si mesmo e caminhe firme em direcção ao alto.

Pense nisso.

Domingo, 27 de Março de 2011

Mais um Domingo em que é vez do Grupo 1


Mais um Domingo em que é vez do Grupo 1, este mês calhou-nos duas vezes.

Apesar de se avizinhar uma noite chuvosa, a força de vontade e o amor no nosso coração é superior.

Eu e a Cátia vamos sempre mais tarde pois, antes vamos buscar os bolos à Nobreza e ao Magalhães, por volta das 20,30h. Mas desta vez a Noémia 2 fez-nos companhia (precisava de boleia).

Quando chegamos à garagem deparamo-nos com uma situação complicada, ninguém tinha chaves.

Já lá estavam a Manuela, o Miguel, o Sr. Lima, Sr. José, a Noémia 1, mais tarde apareceram o Nuno e amiga, a Fátima e uma amiga a Maria Adelina.

Bem, nada de ficar à espera, mãos à obra, e começamos a fazer os sacos ternura e colocar doces e salgados nos saquinhos, na rua. Isso mesmo, na rua, e porque não?

Pequeno problema, volta e meia lá vinha uma chuvinha mas mantivemo-nos firmes a fazer nosso trabalho.

Já com a situação das chaves resolvidas acabamos o trabalho dentro da garagem, abrigados da chuva.

120 sacos ternura prontinhos, pastéis variados com muito creme (como os nossos amigos adoram) e sandes de fiambre, queijo ou marmelada (uma delas super).

Distribuir os sacos ternura para um carro, a roupa para outro, o café e o leite noutro e os pastéis e sandes no nosso.

Fazemos a nossa oração e seguimos para o Tangerina para tomarmos um café e mais qualquer coisa necessária.

Nesta ronda vamos as quatro no carro (eu, a Cátia e as Noémias 1 e 2), sempre muita alegria.

Depois de todos despachados e já um pouco mais tarde que habitual inicia o nosso percurso.

Passamos pela Av. da Boavista mas sem paragem pois não se encontrava lá nenhum dos nossos amigos. Assim, seguimos rumo à Rua Mouzinho da Silveira.
Contudo, o Nuno ainda faz um pequeno desvio no Hospital Sto. António para lá deixar dois sacos e a Manuela e o Miguel vão até à Rua Escura deixar uns trinta sacos.

Nós ficamos em baixo à espera do pessoal. Aos poucos vão aparecendo, uns querem roupa outros estão mais interessados nos bolos deliciosos que temos.

Não aparece mais ninguém, está a fechar as malas e seguir para o Bairro do Cerco.

Já lá estão à nossa espera.

Começamos a ir a este Bairro sensivelmente um ano atrás. No início apareciam poucas pessoas mas presentemente a aderência já é bem maior.

São pessoas que têm um tecto onde dormir mas, uns mais que outros, com grandes dificuldades em sobreviver.

Aparecem sempre algumas crianças, apesar do avançar da hora.

Depois de distribuirmos um sem número de sacos ternura, bolos, sandes e roupa e com alguma conversa à mistura deixamos os nossos amigos e seguimos rumo ao Bairro do Aleixo.

O Bairro do Aleixo desde o início do ano está um pouco deserto, nem se compara ao número de pessoas que encontrávamos lá, nos anos transactos, era o Bairro com maior afluência.

Mas com as Brigadas da polícia e notícias que aquele Bairro vai ser demolido, muitos deles já estão a instalar-se noutros locais.

Neste Bairro muitos deles dormem na rua, aqui a miséria é bem mais evidente.

Um dos nossos amigos conta-nos, muito feliz, que gosta muito da roupa da “nossa boutique” e que faz questão de andar o mais bem arranjado possível.

Hoje temos muitas sandes e bolos, o que nos faz muito felizes pois, podemos dar a cada um dos nossos amigos um número superior de cada uma daquelas coisas.

Depois do Aleixo seguimos rumo à PT (Pinheiro Torres), uma fábrica abandonada que alberga um sem número de sem-abrigo na sua maioria toxicodependentes.

É o limiar da desgraça, são os que vivem em piores condições. No olhar deles já não se deslumbra um resto de esperança. Consegue-se tirar sorrisos momentâneos quando vêem os bolos que trazemos, quanto mais creme melhor, e se a variedade for muita, nem sabem o que escolher!
O doce é muito importante para eles.

Para finalizar nosso percurso seguimos para a Pasteleira, um bairro que aumentou imenso o número de frequência de pessoas com o decréscimo no Aleixo.

Como é nossa última paragem queremos distribuir tudo que ainda temos, e neste dia foi bastante. Muitas vezes não temos essa sorte, chegamos quase de mãos vazias.

Mas esta noite não, esta noite podemos deliciar os nossos amigos com uma grande quantidade e variedade de bolos, alguns comeram um sem número de natas, uma senhora levou dois sacos cheios de bolos e sandes, diz que é para os netos, que estes vão pensar que é aniversário de alguém.

É sempre bom podermos contribuir para um pouco de felicidade na vida das pessoas.

Depois de levarem tudo o que podiam e queriam ainda sobraram alguns bolos e sandes. O que fazer? Claro, passamos novamente pelo PT e deixamos para nossos amigos de lá.

No fim juntamo-nos todos um pouco acima da Pasteleira.

Primeiro temos de cantar parabéns ao José , não trouxe bolo mas não faz mal, com uns suspiros e coca-cola fazemos a festa. O que conta é a intenção!

Acabamos com nossa oração de despedida e depois os beijinhos e abraços da praxe.
Mais uma noite de dever cumprido que apesar dos contratempos iniciais, a noite correu muito bem, tivemos tudo com fartura para poder distribuir aos nossos amigos e até a chuva ajudou!

Bem, daqui três semanas voltamos, cheios de vontade de dar e com muito amor no coração. Até lá.

(Rute)