quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010


domingo, 14 de Junho de 2009

Hoje é Domingo…é o dia do Grupo 1, na Ronda dos Sem-abrigo.

... até chegar à Garagem há um longo percurso a percorrer… o Fernando foi às compras, foi buscar o queijo e o fiambre ao Príncipe Salgueiros, preparou o leite com o chocolate e o café; às 14h 30min passei na Confeitaria Sandrinha II, por volta das 20h eu e a Maria José fomos às Confeitarias Magalhães, passamos na Nobreza II e depois na Nobreza I…seguimos até à Garagem.

O Fernando e a Rute já andavam na preparação das sandes, eu e a Maria José iniciamos a preparação dos nossos “saquinhos ternura”… entretanto chega a Ana e a Gabriela (as nossas Amigas do CCD), foram dar uma ajuda nas sandes…passado uns 20 minutos chega a Lea e o Paulo, foram dar uma ajuda nos nossos “saquinhos ternura”…

Tudo corria com muita tranquilidade e boa disposição… aguardamos a chegada do Bruno e da Susana… carregamos os carros e fizemos a nossa Oração Inicial… demos as boas vindas à Rute, à Gabriela e ao Paulo pela primeira ronda, agradecemos as ofertas que são dadas à Ronda dos Sem abrigo e permitem que os nossos carros partam sempre cheios… a saber: as Confeitarias Magalhães, Príncipe Salgueiros em Vila Nova de Gaia, Sandrinha II em S. Mamede de Infesta, a Nobreza I e II; a Unicer e a Milaneza.

Lembramos todos os que esperam por nós e a Nossa Tia Jú, todos sentimos muitas saudades dela... Rezamos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória.

São 22h e 50min vamos arrancar… os “Nossos Amigos” estão à Nossa espera…

O S. Remo e a Arcádia estavam fechados… estivemos com alguns dos “Nossos Amigos”, fornecemos o que tínhamos e conversamos com eles… quando íamos para seguir… constatei que tina deixado a carteira na Garagem…o adiantado da hora já era algum e como não tinha documentos… lá ficamos à espera que o Fernando fosse à Garagem.

O Daniel juntou-se a Nós na Rotunda da Boavista e lá seguimos até à Rua Júlio Dinis, havia algumas pessoas à nossa espera… tudo correu dentro do normal mas sem dúvida que fiquei impressionada, com o desaparecimento de uma Senhora com mais ou menos setenta anos de idade, da sua habitação desde as 14h e 30min.

Seguimos até S. Bento… são 0h 00min, é o último dia da 79ª Feira do Livro do Porto não há muita gente; seguimos até à Sé… não apareceu ninguém

Fomos a Santa Catarina… havia algumas pessoas na Rua, ficamos todos impressionados com 3 rapazes que dormiam à entrada da Zara, um Português, o mais velho dos 3; um Romeno, que estava à 3 meses no Porto e que falava bem o português e um menino de 14 anos, natural de Leiria, chegou ao Porto à boleia e foi… abandonado pela mãe. Uma realidade dura que a todos chocou e que pouco podemos modificar.

Seguimos até à Residencial Céu Azul, o Fernando lá forneceu os utensílios laborais e nós estivemos com a Dª Felicidade; descemos a Rua de Camões, estivemos com o Sr. Morais.

Chegamos ao Hospital Santo António, era 1h… tínhamos algumas pessoas conhecidas à espera, entre elas… o Bebé V.M. e os Pais, ele é um encanto e o centro das atenções… passou de colo em colo, sempre bem disposto e com um sorriso.

Continuamos… passamos no Sr. Santos, estivemos com o Sr. José Carlos e encontramos o Sr. João… esteve à conversa connosco e deu-nos conhecimento que iria fazer um tratamento para deixar os estupefacientes.

Partimos…chegamos ao Aleixo… e apesar do adiantado da hora, tínhamos muita gente à nossa espera… distribuímos os “saquinhos ternura”, os bolos, os pães, sumos, o café e o leite com o chocolate, tudo correu com muita calma e ordem. As pessoas sabem que agora fazemos 96 “saquinhos ternura”, não é necessário correria e confusão.

Alguns foram contemplados com ¼ de frango e batatas fritas… ficaram todos contentes, entre todos tenho que destacar a Dª Madalena… pediu-me para não me esquecer desse facto na nossa crónica. A Dª Madalena tem um estilo muito próprio e no meio de todos destaca-se, todos nutrem um certo respeito por ela. Apanhou os papéis e copos do chão (com uma saca de plástico na mão) e ainda partilhou a comida com outros.

Estivemos no Aleixo mais de uma hora… quando tudo terminou e dado serem 2h e 15min, resolvemos fazer a Oração Final no Aleixo… ao Grupo da R.S.A. juntou-se a Denise (nome soletrado pela própria e de origem Francesa) e a Dª Madalena… agradecemos a boa Ronda que estávamos a ter; a ajuda do Pai do Céu, Santo e Bom; falamos na Tia Jú; constatamos que a Rute, a Gabriela e o Paulo gostaram da experiência; realçamos o facto de mais uma vez terminarmos a Ronda com a Oração Final no Bairro do Aleixo e hoje com participação especial… Rezamos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória. Quando terminamos, as nossas convidadas estavam muito emocionadas.

ESTAMOS EM JUNHO… MÊS DE PASSAGEM DA PRIMAVERA PARA O VERÃO.

autoria: Vera Lúcia

domingo, 7 de Junho de 2009

Ronda - Grupo 2

Domingo, dia 07 de Junho, para o Tiago, a ronda começou ao inicio da tarde, pois foi a vez dele ir buscar os pastéis à confeitaria de S. Mamede. Também para a Sónia, a ronda se iniciou mais cedo, era preciso fazer as compras. A Lili, preparou o leite e o café, o que requer algum tempo, para que fique bem quentinho.

Às oito da noite, lá nos juntámos na garagem da D. Fatinha em Aldoar, para iniciar a preparação das sandes e dos sacos ternura.

Após a distribuição nos carros dos sacos, termos, roupa e caixas de sandes e pastéis, fizemos a nossa oração e despedimo-nos da Bárbara e do Zé, que não nos abandonaram, apesar de estarem á espera do “Rebentinho”, e às 22 h partimos para a nossa ronda.

Primeira paragem, Boavista , apareceram os amigos habituais, tomámos um café e seguimos para Júlio Dinis, aqui não parámos, já se encontravam outros amigos dos Sem Abrigo .

São Bento, chovia e os nossos amigos demoraram um pouco a vir ter connosco, mas rapidamente nos rodearam com a alegria habitual, e a Branca cantou-nos um fado.

Sé, sempre triste e sombria, por ela, descemos à Rua Escura, onde existem cada vez mais pessoas que se aproximam do meu carro, e gratos, recebem o saco ternura, 18 sacos, demos, desta vez.

Passos Manuel, junto ao Pingo Doce, dois amigos nos esperam ansiosamente, pois gostam muito do nosso café e de conversar um pouco.

Santa Catarina, um novo amiguinho dormia na entrada da Zara, o Miguel, 24 anos, de Ovar e muito bonito, o que me entristece ainda mais. A vida parece não lhe ter dado alternativa e sinto-me impotente perante a falta de vontade de não aproveitar a juventude de outra forma. Ainda em Stª Catarina , encontrámos o Sr. Fernando, que partilhava “o quarto” com um casal. Brincámos com eles acerca das manequins que se encontravam na montra e foi com gargalhadas que nos despedimos até ao próximo Domingo.

Sá da Bandeira, eu e a Isabel, descobrimos o Sr. Emílio, mais ou menos 50 anos, olhar triste e envergonhado, assustado por o termos desperto dum sono frio e solitário, mas foi com um sorriso que aceitou um café quentinho e marcámos encontro para o próximo Domingo.

Camões, foi com preocupação que procurámos a D. Felicidade, pois tem estado doente, mas só se encontrava o Sr. Morais e a namorada, estes têm ali o “o quarto” sempre reservado, oferecemos café, o saco ternura e, claro, um cigarrinho.

Hospital STº António, como chovia muito, os nossos amigos estavam abrigados do outro lado da rua, sob o toldo de um café e foi aí que saborearam café e leite e comeram sandes e bolos. O bebé da Paula e do Victor está muito desenvolvido e é com alegria que reparo no carinho com que ambos cuidam dele, merecem todo o apoio que o grupo lhes possa dar, com leite e fraldas. O Sr. Fernando (manco) também estava, já não o via desde que foi ter com o Fernando, a Fátima e foi ao dar-lhe um abraço, que senti a magreza, camuflada pelo casaco grande.

Campo Alegre, tínhamos o Sr. Santos à nossa espera e após discursar sobre política e as diferentes marcas de café, declinou a oferta do mesmo. Na ausência do assobio do Fernando, é pelo nome que chamo o João (perneta), que eufórico, partilha connosco que, no dia 18 vai para o CAT de Barcelos. Rezo para que se concretize, pois sempre admirei a educação e determinação deste ser humano, que anda de bicicleta, apenas com uma perna.
BOA SORTE JOÃO.

Ultima paragem, Aleixo, apesar de chover torrencialmente, assim que parámos os carros, somos assaltados pelos nossos amigos, cada vez existem mais, que têm fome e frio.

1:30, Fizemos a nossa oração e conversámos sobre o que vimos e sentimos.
O Álvaro, homem do grupo desta noite, ficou revoltado, por ter visto venderem sandes por droga…e nada ter feito. A nossa missão é apenas levar-lhes um pouco mais do que o que eles têm, fazer sentir que não foram esquecidos pela sociedade, que são gente. Gente que já teve tudo e agora nada tem, gente prisioneira do desespero em forma de pó branco, gente que perdeu o fôlego para soprar esse pó para bem longe…

Boa semana para todos e até ao próximo Domingo 21-06-2009

autoria. Nélita / RSA                             

sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Hoje é Domingo, dia 24 de Maio de 2009…é o dia do Grupo 1, na Ronda dos Sem Abrigo.

Eu e o Daniel fomos buscar a Maria José, estava carregada com os bolos da Confeitaria Sandrinha II de S. Mamede de Infesta, seguimos até à Garagem e quando lá chegamos já tudo corria com muita animação ou não fosse o Nosso F.C.P. Campeão.

A Paula, do Grupo 3, passou na garagem para deixar as bebidas e a comida que sobrou do retiro espiritual do fim-de-semana; o Bruno e o Miguel tratavam da organização dos nossos “saquinhos ternura”; a Noémia, a Susana e a Manuela andavam a tratar dos pães, salgados e dos bolos… entramos no ritmo e com boa disposição, rapidamente ficou tudo pronto para partirmos.

O Daniel, o Bruno e o Miguel estavam ansiosos pela nossa Oração Inicial… nenhum pertence ao maior Clube de Portugal, da Europa e do Mundo… o Nosso F. C. Porto e… já não aguentavam com tanta Festa…

Fizemos a nossa Oração… lembramos todos os que andavam na festa, todos os que esperavam por nós, o Fernando que tinha uma dor no joelho, a Lea que estava no “fecho” e a Celine que estava a estudar. Rezamos o Pai Nosso, a Ave-Maria e o Glória.

São 22h e 20min vamos arrancar… os “Nossos Amigos” estão à Nossa espera…

O S. Remo para variar já estava fechado… e lá fomos à Arcádia… na Avª da Boavista não estava nenhum dos “Nossos Amigos”, era o aviso de que a Baixa estava a fervilhar e era necessário fazer algumas alterações ao percurso da Ronda para se ajustar á Festa do Campeão.

Na Rua Júlio Dinis já havia movimento… muitos já tinham andado na Festa no dia em que o F.C.P. se sagrou Campeão a 3 jornadas atrás, conversamos, fornecemos os alimentos e conhecemos um Jovem de Celorico de Basto… já tinha aparecido na televisão, tinha deixado o mundo da droga, já tinha comprado algumas coisas com o trabalho dele, não tinha notícias da família à 5 anos mas a irmã tinha conseguido descobri-lo e queria continuar a recuperar. Encontramos um estrangeiro… entre várias coisas, deu-nos a indicação que aguardava a concessão do Rendimento de Inserção Social…

Seguimos até ao Hospital de Santo António… não fomos a S. Bento, não fomos à Sé, não passamos em Santa Catarina, nem na Rua de João das Regras, nem na Rua de Camões, nem na Rua do Almada… tínhamos várias pessoas à nossa espera no Hospital Santo António, algumas conhecidas outras não; distribuímos roupa, leite com chocolate, café, sandes e bolos.

Conhecemos uma jornalista desempregada, que anda a preparar um livro para publicação, aderíamos às manifestações de alegria pela conquista do Tetra Campeonato e observamos uma cena caricata… a Manuela deu várias peças de roupa a uma rapariga e esta muito tranquilamente resolve substituir as cuecas que trazia pelas que recebeu, no meio da troca ainda “abanou” com muita subtileza as cuecas substituídas. Uma imagem triste, com pouca dignidade e pouca noção da realidade.

Partimos… no meio do trânsito que enchia as Ruas da Invicta, buzinamos bastante para festejar o Campeonato… passamos pelo cantinho do Sr. Santos e lá estivemos à conversa com ele… quando cumprimentou a Maria José, confidenciou-lhe que a “long time ago” tinha tido uma namorada chamada Maria José mas… continuava solteiro…

Seguimos caminho, entregamos um “saquinho ternura” ao Sr. Viriato, enchemos-lhe uma garrafa de leite com chocolate e partimos rumo ao Aleixo… no percurso fomos abordados por um Senhor que falava, falava mas só se consegui entender que tinha fome e estava revoltado com tudo o que o rodeava.

Chegamos ao Aleixo…tínhamos muita gente à nossa espera… distribuímos os “saquinhos ternura”, os bolos, os pães, sumos, o café e o leite com o chocolate, tudo corria com muita calma e ordem. Até que chegou um senhor… que como sempre arranja confusão, é insatisfeito, ingrato e… sem paciência… um péssimo exemplo que é excepção no Aleixo mas que condiciona a boa disposição de todos.

Estivemos no Aleixo mais de uma hora… os bolos, os salgados, os sumos, o leite com chocolate e o café terminaram, sobraram 10 “saquinhos ternura”… correspondiam às pessoas da Baixa que não tinham tido a nossa visita… a Manuela e o Miguel prontificaram-se a passar por lá, dado o avançado da hora era provável que a Festa já tivesse terminado, resolvemos então, fazer a Oração Final no Aleixo… agradecemos a boa Ronda que estava a chegar ao fim e gostamos da originalidade de terminar a Ronda no Bairro do Aleixo. São 1h e 22 min…

ESTAMOS EM MAIO… MÊS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA E MÊS DO CORAÇÃO... ATÉ AO DIA 14 DE JUNHO DE 2009…

autoria: Vera Lúcia

domingo, 3 de Maio de 2009

…é dia do Grupo 1, na Ronda dos Sem Abrigo!

Hoje é Domingo, dia 3 de Maio de 2009…é o dia do Grupo 1, na Ronda dos Sem Abrigo.

Hoje foi difícil chegar à Garagem… são 21h 28 min… chego eu, a Lea, a Susana e o Bruno. Passado uns minutos chega o Fernando… já está tudo praticamente feito…

O trabalho foi do Miguel, da Manuela, da Daniela e da Ana (as amigas do CCD isto é, do Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Porto) tinham tudo orientado e pronto a concluir.

Houve um problema com a entrega dos bolos, logo tivemos uma diminuição de pão e havia excedente de fiambre e queijo, para solucionar o problema e redimir-me do meu atraso fui até ao Modelo Bonjour comprar pão.

Cheguei… terminamos de organizar e distribuir tudo pelos carros.

São 22h e 40 min, vamos fazer a Nossa Oração Inicial… não nos esquecemos que hoje é o DIA DA MÃE… agradecemos tudo que as nossas mães fazem por nós, agradecemos a generosidade e alegria com que os Meninos da Paróquia de Gueifães, organizaram um peditório de bolachas para a Ronda. Elaboraram um caixote todo decorado com diversos recortes de revistas e encheram-no de bolachas. Um gesto simples e muito original… bem hajam.

Rezamos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória.

São 23h e 10min vamos arrancar… os “Nossos Amigos” estão à Nossa espera…

O S. Remo estava fechado… a Arcádia estava fechada… e o Miguel queria um café e tabaco… nada feito. Encontramos alguns “Amigos”… seguimos até à Rua Júlio Dinis… e tínhamos algumas pessoas à nossa espera… distribuímos o café, o leite com chocolate, os pães e os bolos… ouvimos histórias… e encontramos uma jovem, que é mãe de uma menina e que gosta de ir ter connosco para conversar e saborear o melhor leite com chocolate que ela conhece. “É excelente para adormecer”, comentou ela.

Seguimos até S. Bento… o Miguel já tinha conseguido o café e o tabaco, andava bem mais animado, tínhamos bastante gente à nossa espera, estavam bem dispostos, afinal era a semana da Queima das Fitas do Porto e a noite andava animada. Achei interessante o comentário das pessoas relativas à carrinha que o Fernando conduzia… todos comentavam e perguntavam se tinha sido comprada para a Ronda.

Seguimos até à Sé… estava tudo calmo e tranquilo… o Fernando e o Miguel desceram à Rua Escura mas não entregaram nenhum “saquinho ternura”. Contemplamos a Sé e a vista que dela tinhamos… o Fernando mostrou-nos as setas. Que setas?... A seta amarela indica o caminho para Santiago de Compostela e a seta azul indica o caminho para o Santuário de Fátima.

Partimos… na Rua de Santa Catarina havia muito movimento, estrangeiros a contemplar a Invicta no seu ar nocturno e sem abrigos… alguns calmos, outros revoltados… partilhamos com eles alguns momentos e desejamos votos de uma boa semana.

Chegados à Pensão Céu Azul, o Fernando distribuiu utensílios laborais, às Meninas. Estivemos com a D. Felicidade… estava animada e cheia de esperança.

Chegamos junto do Sr. Morais… estava acompanhado… distribuímos o que foi necessário. O Fernando começou a conversar com eles, o Sr. que estava com o Sr. Morais, começou a lamentar-se da situação que estava a viver e a pedir um Kit… o Fernando explicou que o Kit é só para ser entregue no Aleixo, pois lá não há mais ajuda. Para espanto de todos, o Sr. pegou nos pães que tinha na mão e atirou-os para a Rua de Camões, o Fernando ficou super irritado e gerou-se um clima menos positivo… a sorte foi o Bruno… interviu na situação… com muita tranquilidade. Eu fui buscar os pães ao meio da rua e lá seguimos pela Rua de Camões e seus recantos.

A noite já ia longa e havia vestígios da semana da Queima… chegamos ao Hospital de Santo António já depois da 1h…e lá estavam os “nossos amigos”. Havia boa disposição e muitas histórias com os estudantes. Distribuímos o que tínhamos pelas pessoas, conversamos e ficamos admirados com um Senhor que falava, falava mas ninguém entendia nada. Foi-nos explicado, que um estudante ofereceu-lhe uma garrafa de um litro e meio cheio de vinho e… estava quase no fim. Encontramos um Senhor que já tinha estado connosco em S. Bento… estava com o visual alterado para não ser reconhecido… o que era difícil… mas agimos com naturalidade. O Bebé V.M. é um encanto e o centro das atenções, estava quase a dormir quando chegamos, depois de vários colos, brincadeiras e ensinamentos do Miguel… ficou todo entusiasmado… os Pais que o digam.

Partimos…. passamos pelo cantinho do Sr. Santos e lá estava ele. A Daniela e Ana conheceram o “filósofo” e acharam-no original. Na Rua que “controla” é conhecido e respeitado pelas pessoas.

Seguimos para o Aleixo… estamos a chegar ao fim da ronda… em nós um misto de sentimentos. Tínhamos muita gente à nossa espera… mesmo muita,… para nosso espanto estava tudo mais ou menos organizado e em fila… distribuímos os “saquinhos ternura”, os bolos, os pães, o café e o leite com o chocolate. Foi tudo até ao fim e com rapidez.

Os “Nossos Amigos” continuavam a chegar… mas já não tínhamos nada para distribuir… ficamos a conversar com alguns. Verifiquei que o Sr. Manuel estava mais magro… até a D. Madalena comentou isso com ele. O seu estado de saúde não é o melhor.

Deixamos o Aleixo… chegamos ao cruzamento de Aldoar…

O cansaço era visível em nós, a sensação de dever cumprido e a impotência para alterar a realidade que nos envolve era uma constante no nosso pensamento. A Daniela gostou de participar em mais uma Ronda e a Ana gostou da experiência. Hoje fizemos 80 sacos mas chegou-se à conclusão que são cada vez mais as pessoas na Rua, é necessário passar a fazer 96 “saquinhos ternura”, o que equivale a 8 tabuleiros de salsichas… e continuaram a ser poucos.

Passou o Sr. Manuel… e como é usual deixou-nos a frase “Fiquem com Deus.”.

São 2h 35min… fizemos a Oração Final…

ESTAMOS EM MAIO… MÊS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA E MÊS DO CORAÇÃO...

ATÉ AO DIA 24 DE MAIO DE 2009

autoria: Vera Lúcia

terça-feira, 14 de Abril de 2009

Ronda de 19 de Abril de 2009 (clicar na imagem para aumentar)

domingo, 12 de Abril de 2009

Hoje é Domingo, Dia de Páscoa…

Na garagem estavam o Miguel e a Manuela á volta com os pães e os “saquinhos ternura”, tiveram a visita de umas meninas brasileiras…. tinham sacos de pão, Bolos Rei e Pães de Ló para oferecer para a Ronda. Cheguei eu e o Tiago do Grupo 2, que nos veio dar uma ajuda preciosa… ainda que não tenha muita paciência para embrulhar os pães nos guardanapos, gosta de trabalhos menos monótonos. Com muita tranquilidade chega o Bruno e a Susana… mas rapidamente entraram na elaboração dos nossos “saquinhos ternura”… e por fim chega a Noémia, vinha de uma festa, não imaginava que tinha umas caixas de Pães de Ló húmido para cortar… e a roupa para sujar. Fizemos a Nossa Oração inicial e partimos ao encontro dos “Nossos Amigos”… Chegamos à Avª da Boavista… o S. Remo estava fechado, encontramos um “amigo”, partimos e passamos na Confeitaria Arcádia, que estava aberta. Paramos na Rua Júlio Dinis, tínhamos alguns “amigos“, convivemos, fornecemos o que tínhamos e partimos… não paramos em S. Bento porque estava tudo calmo e havia vestígios da passagem de “ajuda”, seguimos até à Sé… o Miguel e o Tiago desceram a Rua Escura para entregar alguns “saquinhos ternura” mas estava tudo muito calmo. Partimos… a noite estava calma e as Ruas denunciavam as viagens de muitos até à terra natal para passar a Páscoa… paramos nas traseiras do Centro Comercial Invictos, estavam lá duas pessoas… desejaram-nos a continuação de Boa Páscoa. Em Santa Catarina tudo “dormia”, paramos na Rua de Camões… lá estava o Sr. Morais a aguardar por nós, seguimos até ao Hospital de Santo António, fornecemos os “nossos amigos”, conversamos e brincamos com o bebé V.M., o qual para nós é familiar, pois acompanhamos a gravidez da mãe e as preocupações do pai, é um bebé simpático e divertido… ganhou roupinha. No cruzamento da Rua do Bom Sucesso demos o “saquinho ternura” ao Sr. Viriato, seguimos rumo ao Aleixo… estava tranquilo, as pessoas foram chegando lentamente e com respeito. Distribuímos os “saquinhos ternura”, os pães, os bolos, o leite com chocolate e o café, conversamos com algumas pessoas e… constatamos que a Páscoa e os dias de comemorações também por eles são festejados com nostalgia e muita naturalidade… Estacionamos no Cruzamento de Aldoar… desinfectamos as mãos, recebemos o telefonema do Fernando, trocamos algumas ideias, fizemos a Oração Final e partimos com votos de continuação de uma Feliz Páscoa… Até ao dia 3 de Maio de 2009… Autoria do texto: Vera Lúcia.

quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Jantar da Páscoa


Tivemos um jantar de PASCOA, com os nossos amigos de RUA. Foi organizado pelo grupo CCD, e também com a nossa ajuda da RSA. Foi um jantar espectacular, foram +- 400 Pessoas, por muita chuva que fazia cair nessa noite, não impediu que os nossos amigos faltassem a esta grande festa
 

Tivemos uma noite,inesquecivel, a ementa foi: Massa com muita carne, cozinhada pela cozinheira do Sheraton e pelo nosso companheiro de Grupo Daniel, que é cozinheiro de Primeira no Hotel D. Henrique, estava muito bom. Houve animação com um senhor que é cantoneiro na Câmara do Porto, tocou e cantou toda a noite. 
 

 


domingo, 22 de Março de 2009

1ºDomingo da Primavera

As filhas do Raul já nasceram, são elas, a Helena e a Sabrina, estão entregues à Casa do Caminho. A mãe das Gémeas está em Espanha, o pai em Portugal… A Branca cantou Fado na Avª dos Aliados, andou a fazer "dieta", esta a preparar-se para a noite de jantar no C.C.D..
Paramos na Sé, estavam 3 pessoas. Mais uma vez, o Fernando deu utensílios laborais ás “amigas” da pensão Céu Azul.
Conhecemos a Melani, estudante francesa do programa Erasmus, o Fernando deu-lhe boleia até á Praça da República… ela estava carregada com mala, mochila e saco, ficou com o contacto do Fernando e quando poder vai à Ronda. Seguimos para Hospital Santo António, estavam os “nossos amigos” à espera e desta vez, também lá estava o Anubis, um cão com nome egípcio… come tudo e é bem educado.
Demos um saquinho ao Sr.Viriato no cruzamento do Campo Alegre, metros à frente entregamos outro ao João, que é cigano. Daqui fomos para o Aleixo… aqui houve confusão… os “amigos do Aleixo” empurraram o Fernando para dentro da mala da carrinha.
Depois criou-se imenso barulho entre os carros dos bolos, do leite e do café, o espaço era reduzido para a quantidade de pessoas que tinha.
O Fernando ficou muito alterado, exaltou-se e mandou fechar os carros.
Viemos para o cruzamento de Aldoar ... lá tentamos conversar e acalmar o Fernando… Entretanto começaram a chegar pessoas vindas do Aleixo e nós aos poucos distribuímos tudo o que restava.
Veio o Sr. Manuel, conversou connosco, alimentou-se, partiu e disse a frase tradicional "fiquem com Deus". E FOI TUDO. ATÉ À PRÓXIMA RONDA, DIA 12/04/09 Autoria do texto: Maria José.

domingo, 15 de Março de 2009

RONDA 15 MARÇO 2009

Eram 20 h do dia 15 de Março de 2009 e já se sentia a vontade de fazer mais uma ronda.
Ponto de partida: a “Garagem”!
Quando lá chegamos, já se encontravam alguns elementos a preparar os kit’s. Já cheirava a bolos, a rissóis, a pães com fiambre e queijo, a croquetes e a xamussas. Alguém no meio daquela azafama, fazia uma triagem de roupas, que juntamente com a comida, iriam ser gentilmente oferecidas ao sem – abrigo da nossa cidade.
Com tudo pronto, era altura de entrarmos nos carros e partir pelas ruas!
A primeira paragem não tardou. Foi na Avenida da Boavista e estava tudo calmo. Apenas apareceram dois ou três sem – abrigo, que praticamente quiseram café e chocolate quente para se aquecerem. Quem apareceu também, para espanto de todos, foram dois agentes da autoridade, mas atenção, não foi para nos multarem! Foi para falar connosco e nos conhecer melhor, pois como eles afirmaram, “Existem muitas instituições a fazer o mesmo que vocês!”
Ficaram muito admirados por descobrirem o primeiro grupo que fazia esta actividade de caridade, sem estar ligado a nenhuma instituição. Debateu-se também o problema do grande número de grupos com a mesma actividade, nos mesmos locais, o que faz com que existam por aí fora muitos sem – abrigo, que não têm acesso a um simples saco de mantimentos. Começou a ficar tarde. Foi hora de nos despedirmos dos senhores agentes e continuar com a ronda.
A paragem seguinte foi a rua Júlio Dinis, que decorreu calmamente, com a entrega de café, chocolate quente e algumas sandes. Seguiu-se a paragem de S.Bento, da qual me recordo ter ficado admirado, com uma senhora ter afirmado ser adepta do Benfica, no meio de tanta gente, provavelmente adepta dos dragões!
Assim se seguiu Sta Catarina, onde encontramos a dona Dina, que estava bastante apreensiva com o facto de já se encontrar na rua há bastante tempo, mostrando grande vontade em sair dali. A Trindade também foi uma paragem que me marcou muito, depois de ver o sr José Monteiro a cumprimentar-nos, benzendo-se depois. Era como se estivéssemos na posição de Deus, aquele que muitos dizem que é o nosso Salvador. Quem sabe se não seremos deuses da rua! Aqueles que colocam um sorriso na cara de tantas pessoas, que agradecem qualquer gesto da nossa parte. É certo que alguns sem – abrigo, pela sua condição de vida, encontram-se mais carrancudos e não nos mostram a simpatia que esperamos, mas esta é a vida de um sem – abrigo.
As horas passam, a ronda já vai a mais de meio e ainda nos faltam algumas paragens. St. António e o cenário é idêntico. Mais sem – abrigo esperam ansiosamente pela nossa chegada.
Os carros param mais uma vez e de lá saímos nós e pegamos novamente nas termos de café e chocolate quente. Estas bebidas são do agrado de todos. Há sempre uma grande agitação na espera destas bebidas, chegando a haver desentendimentos entre eles por um simples copo. É incrível como há tantas pessoas diferentes no mundo, umas que lutam por tanto e outras que lutam por tão pouco.
Seguindo viagem, fomos mais uma vez visitar o “filósofo”, chamado assim, por comunicar connosco de uma forma muito especial. Fisicamente pode ser considerado um sem - abrigo, mas mentalmente é mais rico e culto de que certos senhores do poder.
Finalmente aproximamo-nos do fim da ronda. O carro acelera para chegar ao local mais “respeitado” pelos elementos do nosso grupo, o Bairro do Aleixo. Nota-se um silêncio pesado, dentro do carro, á medida que chegamos ao local. De todas as paragens, esta é sem dúvida a que nos provoca um maior misto de sentimentos, que vai desde a adrenalina, ao medo, passando pela pena de ver tanta miséria existente. Como chegamos mais tarde desta vez, a agitação era muita. De um momento para o outro vimo-nos rodeados de pessoas desesperadas por um saco ou bebida, que lhes aquece-se o corpo e lhes reconforta-se o estômago. Deixamos praticamente de ver o céu, de tanta gente que nos rodeia.
Cai sobre nós a sensação de estarmos num mundo á parte, perante uma percepção completamente desfigurada do que deveria ser o real. Os sacos e as termos estão acabar. Porém, continuam a chegar cada vez mais pessoas com fome. Quando tudo acabou, alguns que chegaram mais tarde, ficaram com a desilusão e a tristeza estampada no rosto. Outro aspecto que me marcou, foi a capacidade de se fazer solidariedade neste local. Alguns foram os que abriram os seus sacos para partilharem o que tinham com os que tiveram menos sorte e nada tinham.
Cada vez mais sentimos o peso e a responsabilidade de ajudar as pessoas, que tal como nós, são humanos e de tanto de nós precisam. O sentimento que ficou foi a sensação de mais uma missão cumprida e a certeza que podemos fazer ainda mais.
Entramos nos carros e tudo parece voltar a normalidade.
Para trás ficam aquelas cinco torres, umas acesas e outras completamente apagadas.
Porém fica bem aceso na nossa mente, a vontade e ao mesmo tempo o receio de lá voltar...
texto da autoria de Nelson Costa

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

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terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

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domingo, 11 de Janeiro de 2009

Hoje é Domingo, dia 11 de Janeiro de 2009…é o dia do Grupo 1, na Ronda dos Sem Abrigo.

Na garagem correu tudo dentro do normal e segundo a organização do Grupo, depois de fazermos a Nossa Oração Inicial… partimos…
hoje éramos 5 pessoas… a Lea, a Susana, o Miguel, a Manuela e eu.
O Daniel e a Maria José juntaram-se a nós em S. Bento…
está uma noite muito fria…
Em todas as paragens encontramos muita gente… na Rua Júlio Dinis tivemos a ajuda de 3 meninas na distribuição do leite com chocolate e café (ficaram todas contentes por colaborar); em S. Bento conhecemos uma grávida de 5 meses; no Hospital de Santo António as pessoas estavam protegidas na paragem dos autocarros… a Dª Conceição ficou toda contente com a oferta de uma lasanha; para além da roupa, comida e “saquinhos ternura”… a população do Aleixo recebeu preservativos, uma oferta conseguida pela Manuela e distribuída por ela…
Constatamos que há menos gente a dormir na Rua devido às tendas montadas por causa do frio, as que encontramos nos diversos pontos de encontro sentiam muito frio mas mesmo assim, mantinham a boa disposição…
no entanto, houve uma situação que me desagradou bastante… um jovem em Santo António depois de usufruir do que foi disponibilizado, ficou muito indignado por darmos a indicação de que íamos partir porque ainda tínhamos outras paragens e… como ele queria mais leite com chocolate e deram-lhe café… foi muito ágil a deita-lo fora e ficou muito indignado com o que lhe tínhamos dado… esqueceu-se foi de algo básico… o que ele desperdiçou faz falta a outros, nós estamos em acção de voluntariado e… não estamos propriamente com paciência para ouvirmos insultos.
No geral correu tudo bem… como sempre, lá passou o Sr. Manuel e disse a frase do costume “fiquem com Deus”… fizemos a Nossa Oração Final e tivemos o Fernando via telemóvel.
Fica a sensação de dever cumprido e esperança em dias melhores…
Continuação de um Bom Ano para Todos! Até ao dia 8 de Fevereiro de 2009…
autoria do texto : *Vera Lúcia*

domingo, 14 de Dezembro de 2008

Hoje é Domingo, dia 14 de Dezembro de 2008… é o dia do Grupo 1, na Ronda dos Sem-abrigo. Foi difícil chegar à garagem… o trânsito era muito, tive que fazer uns desvios mas hoje, excepcionalmente o Daniel ia comigo e no local combinado lá estava a Maria José na paragem e a Dora uns dois metros à frente… não imaginavam que iam para o mesmo sítio e que inevitavelmente iam-se conhecer… ficaram felizes quando viram o 206 a dar luzes mas completamente admiradas com o sítio onde eu imobilizei o carro… no meio das duas… quando se aperceberam do que ia acontecer foi gargalhada geral. :-) Seguimos até à garagem… chegamos às 19h e 45 min. Tínhamos à nossa espera o Sr. Manuel Rocha. Não deixou os pães no cantinho do costume porque o S. Pedro estava em plena actividade, guardamos os pães no 206 que estava repleto de coisas para a ronda (os bolos da Sandrinha II, roupa e calçado) … não nos podíamos mexer e com o anteriormente sucedido a boa disposição era geral. A Noémia chegou eram 20h e consigo trouxe 4 “valentes” sacos de roupa. Passado uns minutos chegou a Manuela e o Miguel, traziam as chaves, as térmicas, as compras, o queijo, o fiambre e roupa… o Clio bem composto e depois chega a Celine com um monte de roupa… Separamos as térmicas para o 206 e a roupa ficou no Clio… a Maria José, a Dora, a Celine e a Noémia prepararam os pães com queijo e fiambre, a Manuela e o Miguel organizaram a roupa (o Clio estava irreconhecível), eu e o Daniel começamos a preparar os nossos “saquinhos ternura”… as salsichas, as águas, as bolachas e os 74 saquinhos a nascer… Chega o Fernando & Companhia com muita animação... depois a Lea e a Susana com os bolos e salgados da Magalhães e das Nobrezas I e II… petiscamos qualquer coisa e… às 21h e 30 min o Fernando e a Celine… tiveram que ir ao Continente comprar saquinhos pequenos e guardanapos. Aproveitamos para conhecer a Companhia que o Fernando trouxe… a Joana, a Daniela, o José e a Marlene… fazem parte do CCD isto é, do Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Porto… e esta hém?! Vieram para conhecer a forma como nos organizamos, trabalhamos no local e divulgar a ceia de Natal… que se irá realizar no dia 17 de Dezembro de 2008, na R. Alves Redol, nº 292, Porto. Haverá cinco pontos estratégicos de transporte para os “nossos amigos”, a saber… na Trindade, na Rua Júlio Dinis, em S. Bento, no Hospital de Santo António e na Batalha. Chegou a nossa Tia Jú… de regresso com a sua calma, boa disposição, paz, esperança e “Mãe” da Ronda… ficamos todos muito felizes. E… lá veio o Fernando e a Celine com o que faltava para completarmos os nossos “saquinhos ternura”, fizemos uma linha de montagem a 32 mãos… um espectáculo!
Organizou-se a Nossa próxima Ronda a 11 de Janeiro de 2009:
- Ir às compras Miguel e Manuela - Ir ao Príncipe Salgueiros Miguel e Manuela - Fazer o café e o leite com chocolate Miguel e Manuela - Ir à Sandrinha II em S.M.I. Vera - Ir às Nobrezas e Magalhães Susana e Lea - Entregar os tabuleiros dos bolos Lea - Lavar as térmicas e entregar as chaves Vera Está tudo organizado e distribuído pelos carros.
São 22h e 27min, vamos fazer a Nossa Oração Inicial… não nos esquecemos que hoje é o DIA DA ALEGRIA… soubemos que a Joana (que trabalha no F.C.P. mas que é S.L.B.) está grávida e por isso vai deixar de vir (muitas felicidades); demos as boas vindas à Dora e ao pessoal do CCD na sua 1ª ronda; felicitamos o regresso da Tia Jú e da Maria José; lembramos e festejamos o 1º aniversário em que a Lea, a Susana, o Daniel e eu participamos na Ronda; agradecemos a todos que em especial colaboram com a Ronda… como a Anabela e o José Manuel, aos que colaboram com euros… como as Senhoras de Santo Ovídio do Movimento da Igreja, a Beatriz e a Dª Arminda; agradecemos aos Nossos Familiares e Amigos que sempre nos apoiam e … a todos os “Nossos Amigos” que aguardam por Nós. Rezamos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória. São 22 h e 50min vamos arrancar… os “Nossos Amigos” estão à Nossa espera… Estamos em plena Av. da Boavista, junto ao Bingo da Boavista… encontramos alguns “Amigos” e o S. Remo já estava fechado, mas colaboraram connosco. A noite está fria… o carro do Fernando marca 5º graus. Seguimos até à Rua Júlio Dinis… lá estavam os “Nossos Amigos” à nossa espera… todos ficaram felizes por ver a Tia Jú.
Desejaram boa sorte à “Dorinha”, encontramos o Sr. José Maria que foi “atendido” pela Maria José (foi uma risada geral com este trocadilho). Encontramos o Raul… o Daniel tinha um biberão para as Gémeas… ele aceitou-o logo… ficou algum tempo a conversar com a Tia Jú… tinha uma T-shirt vestida e os pulsos cortados… não me contive tive que perguntar… como é que era possível com aquele frio, andar assim? Sofre maus tratos por parte da companheira… e anda preocupado com o nascimento das Gémeas… a vida é dura! Despedimo-nos e seguimos até S. Bento… São 0:00 horas, muito frio e muita gente à nossa espera mas correu tudo bem.
Chegamos à Sé… apareceram 3 “Amigos”… daqui tínhamos uma paisagem linda… a noite fria e escura a contrastar com os monumentos iluminados… uma imagem serena e linda. Deixamos a Sé debaixo de chuva… percorremos as Ruas do Porto iluminadas pelas luzes do Natal… não se via ninguém, estava tudo calmo… chegamos à Rua de Camões… o Sr. Morais e Companhia já estavam deitados, a Dª Tilinha animada como sempre mas chateada com a flatulência do Sr. Morais… fez os seus pedidos, recebeu miminhos da Tia Jú e uns sapatos da Maria José… conversou com todos e a todos cativou… experimentou o perfume que a Tia Jú lhe deu e estava muito indecisa com o que deveria levar vestido ao jantar de Natal na casa da irmã…saia ou calças?! É 1hora… a chuva parou e nós chegamos ao Hospital de Santo António… muita gente à nossa espera…. abriram-me a porta do carro e saudaram-me de forma familiar… satisfizemos os seus pedidos, conversamos, trocamos ideias, vimos alguns Pais Natal do desfile diurno e vimos uma “Nossa Amiga” a tirar o fiambre do seu pão e a dar a uma gatinha (o Fernando afirmou que era a gata) que andou por lá a receber “festinhas” do Grupo1. È 1h 40min partimos… passamos no cantinho do Sr. Santos, deixamos o “saquinho ternura” no sítio do costume, encontramos o Sr. Zé Carlos e seguimos rumo ao Aleixo… Estava tudo bastante mais calmo… mas rapidamente avistaram e reconheceram os carros e correram até nós. Os nossos “saquinhos ternura” voaram; a roupa foi distribuída e conforme o prometido a Manuela trouxe um edredão para o Sr. Manuel que ficou todo satisfeito; o café e o leite com chocolate foram fornecidos com muita calma e ordem e… graças a Deus sobraram bolos que fizeram as delícias de duas das “Nossas Amigas”. Deixamos o Aleixo… chegamos ao cruzamento de Aldoar… Depois da desinfecção das mãos… fomos saudados pelo Sr. Eduardo Fonseca, devolveu as calças que não lhe serviam, pediu um cigarro e leu a placa que sempre o acompanha “Jesus, comigo ninguém pode”, passou mais um dos “Nossos Amigos” que deixou-nos a seguinte mensagem “fiquem com Deus” e começamos a partilhar os sentimentos da noite… O José gostou da experiência e divulgou junto de todos o jantar do dia 17; a Daniela também gostou e ficou admirada com o facto de os “Nossos Amigos” conhecerem os carros da Ronda e não identificarem o dela; a Joana disse uma frase que ficou na nossa cabeça… “perante o que vimos sentimo-nos pequeninos”; a Marlene reconheceu a Dª Tilinha do autocarro e disse-nos que já a conhecia há muitos anos e que entre os conhecidos do autocarro ela era a Sr.ª dos rebuçados; a Dora ficou satisfeita e a Ronda correspondeu as suas expectativas; o Daniel ficou contente por participar na Ronda desde o início; a Maria José estava toda entusiasmada e tinha os pés “congelados”; a Lea comentou que nem todos os “Nossos Amigos” têm a noção do tempo e do calendário, desejam-nos um Feliz Natal mas sabem que o dia deles vai ser igual ao de ontem, ao de hoje e ao de amanhã; a Celine acha que aumentou o número de Sem Abrigo desde Setembro até Dezembro; a Susana e a Noémia, comentaram o entusiasmo da Dª Tilinha no jantar de Natal e na curiosidade para saber se haveria baile; a Tia Jú estava feliz pelo regresso mas ficou chocada com a progressiva degradação da Sofia, com o facto de ela cheirar mal e com o sofrimento e pouca sorte do Raul; a Manuela e o Miguel comentavam que muitas vezes quando estão deitados quentinhos pensam no frio que os “Nossos Amigos” passam; o Fernando ouvia e por fim começou a falar com o entusiasmo que lhe é característico… como “Pai” da Ronda… “por aqui já passou muita gente, uns ficaram, outros deixaram de vir, outros partiram e outros fazem parte do Grupo da Ronda dos Sem Abrigo que não vêm para a Rua mas ajudam. Nós damos o que temos e não há possibilidade de escolha e os “Nossos Amigos” aceitam com um sorriso e sem escolha”. Viu o início da degradação de muitos dos “Nossos Amigos”, acompanhou alguns até à “morada final”, deu assistência a outros, viu a Tia Jú a ficar doente no período em que acompanhou um dos “Nossos Amigos” no Hospital. Falou da generosidade que existe entre alguns dos os “Nossos Amigos”, que têm a capacidade de partilhar o pouco que têm e… eu… ouvia e escrevia… digo-vos que… sinto-me feliz com o que dou pois recebo muito mais… e é excelente passear nas Ruas da minha Invicta e ver que me conhecem da Ronda… São 2h 35min… fizemos a Oração Final… ESTAMOS EM DEZEMBRO… MÊS DE BALANÇO, MÊS DE NATAL, MÊS DE PROMESSAS… MAS TEMOS MAIS 11 MESES. A TODOS UM FELIZ NATAL, UM PRÓSPERO ANO NOVO DE 2009 E… ATÉ AO DIA 11 DE JANEIRO DE 2009…
(autoria do texto: Vera Lucia)

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

receber servindo

video

quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

ronda de 16 de novembro 2008

Hoje é Domingo, dia 16 de Novembro de 2008… é o dia do Grupo 1, na Ronda dos Sem Abrigo.
Quando se chega à garagem, entre as 19h 30min e as 20h, já há muito trabalho realizado… da Unicer já lá estavam as águas de sabores; com as bolachas da Milaneza encostadas; o Sr. Manuel e a Dª Manuela Rocha já tinham depositado no cantinho do costume os 97 pães (ainda estavam quentes); a Manuela (que está com gripe) e o Miguel já tinham passado no Príncipe de Salgueiros para ir buscar o queijo e o fiambre que irão rechear os pães; a Vera passou na Pastelaria Sandrinha II de S. Mamede de Infesta, a Lea, a Susana e a Bá passaram nas Confeitarias Nobreza I, Nobreza II e Magalhães… de lá trouxeram bolos, salgados, sandes e miniaturas.
Estava tudo encaminhado para a preparação das sandes, distribuição e organização de bolos e salgados e… elaboração dos nossos “Saquinhos Ternura”, estes constituídos por 1 pacote de bolachas, 1 garrafa de água, 1 lata de salsichas, alguns doces e alguns salgados.
Esta noite tivemos a visita da Dª Fatinha, a proprietária da garagem que recebe toda a logística da Ronda dos Sem Abrigo… já levou alguns susto com este empréstimo, desde a luz ficar desligada no geral, com os frigoríficos a descongelar e a inundação a surgir… até ao facto de a garagem ficar mal fechada por desconhecimento do funcionamento das chaves. Tinha um recado para o Fernando… a “Nossa” Tia Jú tinha passado pela garagem… deixou algumas latas de salsichas e uma contribuição das Senhoras de Santo Ovídio, do Movimento da Igreja, que sempre que podem colaboram com uma contribuição para a Ronda, entre as Senhoras destacamos a Tia Jú, a Dª Margarida Meixedo e a Drª Emeletina Pires.
A Lea trouxe uma amiga para participar na Ronda… a Bárbara, para os Amigos Bá, o Fernando estava em baixo por causa de uma dor no joelho…mas mesmo assim cheio de energia… e lá organizou a Nossa próxima Ronda a 14 de Dezembro de 2008:
· Ir às compras Miguel e Manuela · Ir ao Príncipe Salgueiros Miguel e Manuela · Fazer o café e o leite com chocolate Miguel e Manuela · Ir à Sandrinha II em S.M.I. Vera · Ir às Nobrezas e Magalhães Susana, Bá e Lea · Entregar os tabuleiros dos bolos Lea · Lavar as térmicas e entregar as chaves Vera Está tudo organizado e distribuído pelos carros, são 21horas e 30 min… vamos fazer a Nossa Oração Inicial… Nela lembramos todos aqueles que de uma forma directa ou indirecta participam na Ronda dos Sem Abrigo… hoje em especial, tivemos presente o Pedro e o Ezequiel (do Grupo 4) que prepararam os 15 litros de leite com chocolate e os 10 litros de café para o Grupo 1; a Patrícia que tem a mãe no Hospital (rápidas melhoras de todos nós); a Celine e o Martins, dois Sargentos… dois Militares, que infelizmente não puderam estar connosco fisicamente…ah! Desejamos Boa Sorte para o Martins que neste momento presta provas para poder integrar um contingente Militar para o Kosovo; a Tia Jú e as suas Amigas que nunca esquecem a Ronda; aos Nossos Familiares que sempre nos apoiam e … a todos os “Nossos Amigos” que aguardam por Nós.
Rezamos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória.
São 22 horas vamos arrancar… os “Nossos Amigos” estão à Nossa espera… estamos em plena Avª da Boavista, junto ao Bingo da Boavista, encontramos alguns “Amigos”, vimos o que precisavam e ouvimos os seus comentários, fomos “aliviar as bexigas” e aconchegar o estômago ao S. Remo.
Estamos em plena noite da Cidade do Porto… para nos receber temos a Iluminação do Natal de 2008… é o 1º dia da Iluminação… simples mas bonita… o contraste entre os cheiros do dia e os da noite, entre os sons do dia e da noite, entre os rostos do dia e da noite e entre a beleza do dia e da noite, é algo fascinante mas ao mesmo tempo incomparável em tudo.
Estamos em plena Rua Júlio Dinis… os Nossos “Amigos” à espera… entre roupa, sandes, bolos, leite com chocolate e café… correu tudo dentro do normal mas… encontramos o Raul.
Estava feliz e bastante preocupado… de hoje a um mês vai ser Pai de Duas Meninas Gémeas… precisa de fraldas, roupa, cobertores, produtos de higiene, leite para recém nascidos… enfim… precisa de tudo.
São 22h 45 min., depois de descermos a Rua dos Clérigos lindamente iluminada, passamos em S. Bento… e lá estava o Daniel à nossa espera depois de um dia de trabalho, juntou-se a nós.
Seguimos até à Sé… estacionamos e aguardamos a chegada dos Nossos “Amigos”, com excepção do Fernando e da Bá que desceram à Rua Escura e lá entregaram 6 “Saquinhos Ternura”. Estivemos com alguns “Amigos”… e qual foi o nosso espanto quando vimos um dos Nossos “Amigos” a equilibrar uma viga de madeira na cabeça sem mãos!
Àquela hora não era para qualquer um… até o Fernando ficou espantado.
Passamos por S. Lázaro, pela Rua da Alegria, pela Rua de Passos Manuel, subimos a Rua de Sá da Bandeira, fomos pela Rua Gonçalo Cristóvão, paramos na Residencial Céu Azul e chegamos à Rua de Camões… estavam 3 pessoas à Nossa espera. Fornecemos o que tínhamos, conversamos e soubemos das novidades… o Sr. Morais estava todo revoltado, o outro Senhor estava calmo e a Dª Tílinha só “namorava” o lenço de “seda” da Lea… e depois de várias tentativas… a Lea presenteou-a com o mesmo e… a Dª Tílinha ficou toda feliz.
São 23h 50 min, chegamos ao Hospital de Santo António… imensas pessoas à espera… entre elas o Sr. Jaime, a Dª Conceição e muitos Outros… partilhamos o que tínhamos e ouvimos os seus desabafos. Constatei que na noite do Porto não existem só Portuenses… falei com pessoas de Barcelos, Lousada, Penafiel, Matosinhos e outras que já viajaram bastante e chegaram à Invicta. Ouvi histórias do Zé do Telhado, de Camilo Castelo Branco, do Manoel de Oliveira… e de Pessoas (que poderiam ter mil nomes). Aqui a Bá passou por filha do Fernando.
Partimos… passamos no Cantinho do Sr. Santos e a Bá foi lá deixar um “Saquinho Ternura”, na Rua do Campo Alegre encontramos o Sr. João e o Sr. Viriato… este estava muito preocupado com a forma como iria pagar os seus impostos…
A Nossa última paragem o Aleixo.
Em cada esquina tínhamos várias pessoas à espera e quando os carros apareceram… gerou-se uma correria e surgiu ainda mais gente… nervosos, sem paciência, a quererem chegar em primeiro lugar, alguns educados, outros nada educados…
O Fernando e a Bá deram os 70 “Saquinhos Ternura” em minutos; a Lea e a Susana tiveram que fechar a mala do carro duas vezes para impor respeito, a Manuela e o Miguel tiveram que mandar dois berros na roupa; eu e o Daniel por forma a fazermos uma distribuição mais célere do leite com chocolate e do café optamos por tirar as térmicas do carro e colocá-las no passeio… uma confusão… só pedíamos calma e lá foi o Fernando e a Bá dar uma ajuda.
Terminaram os “Saquinhos Ternura”, terminou a comida, acabou a roupa, terminou o leite com chocolate e o café… mas as pessoas continuaram a chegar…
Seguimos até ao cruzamento de Aldoar… estacionamos junto ao BES para a Nossa Oração Final…fomos interrompidos por um dos “Amigos” do Aleixo… vinha todo contente com os sapatos castanhos nº 40… insistiu na ideia que ele estima tudo o que lhe dão, enquanto outros vendem tudo o que conseguem.
Após alguns minutos de descontracção reiniciamos o Oração Final… agradecemos a forma ordeira e pacífica como tinha decorrido a Ronda e desabafamos o que nos ia na alma… a Manuela estava doente e triste por ter deixado algumas pessoas sem comida, o Miguel queria mais meias para distribuir, o Fernando e o Daniel ouviam, a Lea, a Susana e a Bá davam ideias e eu… escrevia… era preciso pedir: · Cobertores, cuecas, meias, sotiens; · Copos médios de plástico, guardanapos, sacos de plástico pequenos; · Água, salsichas, bolachas, leite, chocolate em pó, café solúvel; · Sacos de plástico - tipo compras; · E…é tudo bem vindo.
Rezamos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória.
Assim decorreu mais uma Ronda dos Sem Abrigo no Grupo 1… mais uma noite de Domingo… em todos nós havia o sentimento de dever cumprido e a ânsia de fazer mais e melhor.
A todos uma Boa Semana!
Até ao dia 14 de Dezembro de 2008…
(autoria do texto: Vera)

domingo, 23 de Dezembro de 2007

sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

… a minha atenção hoje vai para o Sr. João, seu falecido filho e sua família… qual a força que um Homem terá para, sair de casa numa noite fria e indefinida, para, encontrar o desencontro, para, alcançar o que não se vê e apenas se sente, para, resgatar o que foge e se escapa por entre os dedos…. Guerreiro, Companheiro, Homem, Pai, Avô… São todos sinónimos de seres com a dimensão deste Senhor e de infelizmente tantos outros, Homens e Mulheres, que um dia acordam com esta triste realidade, que de uma forma ou de outra nos atingem a todos nós. Aqui deixo uma definição cedida por um Amigo e da autoria de Mario Quintana de ‘CEGO’ e de ‘PARALITICO’ CEGO é aquele que não vê o seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria e só tem olhos para os seus míseros problemas e pequenas dores. PARALITICO é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam da sua ajuda. Bem Hajam Um abraço a todos, mas em especial para o SR. João e sua Família.

terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Uma doação insignificante

Ela passa pelo conjunto residencial três vezes na semana.
Quase todos a conhecem.
Faça frio ou faça sol, ela anda pelas ruas empurrando seu pesado carrinho, recolhendo papéis, latas, vidros.
Tudo que possa ser vendido para reciclagem.
Nunca está zangada. Quando perguntamos se ela consegue sustentar a família, daquela forma, diz: Sim, graças a Deus. Quando lhe indagamos a respeito dos filhos, ela nos informa que sua filha está casada, tem um bebê. Que eles têm dificuldades para suprir todas as necessidades da criança e, por isso, ela auxilia o casal. Também diz que tem um menino de oito anos, que está na escola.
Já nos habituamos a guardar tudo separado, para lhe facilitar a tarefa: metal, vidro, papel. Ela chega e vai recolhendo tudo e agradece. Agradece por lhe darmos nosso lixo. Dia desses, resolvemos lhe oferecer algo mais.
E lhe entregamos uma bandeja com quatro copos de iogurte.
Nossas crianças já estão enjoadas de seu consumo.
Mudamos de marca, compramos com polpa, depois com pedacinhos de fruta, para variar. O rosto da mulher se ilumina. Meu filho vai adorar isto, diz ela.
Dias depois nos conta da alegria do seu menino ao tomar um a cada dia.
Como se fosse uma sobremesa, uma recompensa. Algo especial.
E nossos filhos cansados de se servirem sempre das mesmas coisas, desejando algo diferente. Porque vivem fartos. Mais uns dias e, porque fosse feriado, o garoto acompanhou a mãe nas suas andanças.
Ao nos ver, no portão, foi apontando: Foi aquela dona que deu prá gente o iogurte, mãe?
E, ao sinal afirmativo, correu em nossa direção, agradecendo e dizendo como ficara feliz. Quatro dias de felicidade.
Tomei devagarinho, disse ele. Para sentir bem o gosto e não esquecer por muito tempo. Agradeço demais. Um gesto tão simples. Algo tão pequeno. E fez tanta diferença. Quatro dias de felicidade para um menino que não passa fome, mas tem vontade de comer algo diferente.
Como nossos filhos que se levantam, saciados, da mesa e perguntam:
O que tem mais para comer?
Ou, em meio à tarde: Estou com fome. O que tem para comer nesta casa?
Mas eles não desejam pão com manteiga.Querem algo especial ao paladar.
Será que, olhando essas crianças que vivem em casebres quase a desabar, ou que acompanham os pais nas longas jornadas, catando lixo pelas ruas, pensamos que elas têm desejos especiais?
Vontade de comer chocolate, de tomar um sorvete, um hambúrguer, fritas, iogurte. Afinal, o que apreciam os nossos filhos? Eles também. É hora de pararmos de dar somente pão, sopa, para saciar a fome.
É hora de dar algo mais. Um capricho, mas que ilumina os olhos da infância. Os filhos da pobreza têm sonhos, como os nossos filhos. Têm vontades, exatamente como os nossos. Pensemos nisso e nos tornemos mais sensíveis.
Podemos começar tendo em nosso carro, ou na bolsa, um chocolate, uma guloseima extra para oferecer a um deles, que encontremos pelas calçadas, pelas ruas. E quando nos dispusermos atender as necessidades dos carentes sociais, quando pensarmos em cestas básicas, pensemos nas crianças.
E coloquemos algo mais: uma barra de chocolate, do especial que gostamos ou nossos filhos apreciam. Um suco que acabou de ser lançado, bolachas recheadas, de boa marca, enfim, tudo aquilo que gostamos. Tudo aquilo que costumamos comprar para os nossos filhos.
Porque afinal a diferença entre aquelas crianças e as nossas é somente que não estão em nosso lar.
Pensemos nisso.

domingo, 11 de Novembro de 2007

Omraam Mikhaël Aïvanhov

Se os humanos se sentem pobres, desprovidos, é porque têm sempre medo de perder qualquer coisa.
E, então, fecham-se na sua concha, sem compreender que, com esta atitude, ficarão ainda mais pobres.
Para se enriquecerem, têm de dar.
Sim, aquele que quer apropriar-se fica mais pobre, ao passo que aquele que pensa sempre em dar enriquece, porque ao dar ele despertará forças desconhecidas que estão adormecidas algures nas profundezas da sua alma.
No momento em que essas forças jorram e começam a circular, ele sente-se tão cheio que fica surpreendido.
E diz para si próprio: «Mas como é que isto é possível?
Eu dei, dei, e estou mais rico!..»
Pois bem, é isso a nova vida.
Ouve-se dizer por toda a parte: «É preciso mudar a vida, é preciso criar uma sociedade nova»...
Mas nunca se conseguirá isso se se continuar a ter as mesmas velhas mentalidades inspiradas pela necessidade de se apropriar e não de dar.

quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

bom lembrar...

sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Hoje dou por mim a pensar na ronda do passado domingo dia 05 de Agosto….

….e no sr. António um Homem na casa dos 50, que encontramos na Sé deitado sob um cartão e enrolado num cobertor… Com as primeiras palavras percebi que era insular, com o desenrolar da conversa ele explicou que era natural da ilha de São Miguel e que esteve imigrado nos EUA até á meia dúzia de anos atrás.. altura em que por envolvimento no mundo das Drogas foi deportado, desde ai a sua vida não tem sido fácil, afirma que já esteve internado no Hospital Magalhães Lemos e segundo ele lá é que estava bem, podia tomar banho todos os dias, tinha roupa lavada e podia também contar com 3 refeições diárias (devo salientar que foi por esta mesma ordem que ele enumerou as suas necessidades) acrescentou que já foi á câmara Municipal para pedir para voltar para o hospital, mas a resposta foi negativa……. Segundo nos segredou tem filhos e parentes nos EUA mas principalmente por vergonha da sua miserável situação está impedido de os contactar, devo salientar que os seus olhos irradiaram luz ao acrescentar que até já tem netos…. O Sr. António ainda conserva uma aparência robusta apesar dos seus movimentos serem já bastante descoordenados devido talvez a uma vida de abusos e vícios. Á parte disto ficou-me também estar-se a tratar de um Homem que ainda conserva o seu orgulho, alguma clareza, bem como um certo arrependimento e revolta de algumas decisões tomadas no passado… Assim pergunto-me se será que algum dia vamos conseguir entender e definir a linha ténue que separa o nosso mundo do mundo de pessoas como o Sr. António ou será que vivemos o mesmo mundo mas de perspectivas diferentes?! Bem hajam companheiros da Ronda que mais uma vez juntos, fizemos um novo assalto ao preconceito e à indiferença. Um abraço,

sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

"Só hoje sei que em toda criatura, Desde a mais bela até à mais impura, Ou numa pomba ou numa fera brava, Deus habita, Deus sonha, Deus murmura!..." (Guerra Junqueiro, A Velhice do Padre Eterno, p. 176).