Mais um Domingo em que é vez do Grupo 1, este mês calhou-nos duas vezes.
Apesar de se avizinhar uma noite chuvosa, a força de vontade e o amor no nosso coração é superior.
Eu e a Cátia vamos sempre mais tarde pois, antes vamos buscar os bolos à Nobreza e ao Magalhães, por volta das 20,30h. Mas desta vez a Noémia 2 fez-nos companhia (precisava de boleia).
Quando chegamos à garagem deparamo-nos com uma situação complicada, ninguém tinha chaves.
Já lá estavam a Manuela, o Miguel, o Sr. Lima, Sr. José, a Noémia 1, mais tarde apareceram o Nuno e amiga, a Fátima e uma amiga a Maria Adelina.
Bem, nada de ficar à espera, mãos à obra, e começamos a fazer os sacos ternura e colocar doces e salgados nos saquinhos, na rua. Isso mesmo, na rua, e porque não?
Pequeno problema, volta e meia lá vinha uma chuvinha mas mantivemo-nos firmes a fazer nosso trabalho.
Já com a situação das chaves resolvidas acabamos o trabalho dentro da garagem, abrigados da chuva.
120 sacos ternura prontinhos, pastéis variados com muito creme (como os nossos amigos adoram) e sandes de fiambre, queijo ou marmelada (uma delas super).
Distribuir os sacos ternura para um carro, a roupa para outro, o café e o leite noutro e os pastéis e sandes no nosso.
Fazemos a nossa oração e seguimos para o Tangerina para tomarmos um café e mais qualquer coisa necessária.
Nesta ronda vamos as quatro no carro (eu, a Cátia e as Noémias 1 e 2), sempre muita alegria.
Depois de todos despachados e já um pouco mais tarde que habitual inicia o nosso percurso.
Passamos pela Av. da Boavista mas sem paragem pois não se encontrava lá nenhum dos nossos amigos. Assim, seguimos rumo à Rua Mouzinho da Silveira.
Contudo, o Nuno ainda faz um pequeno desvio no Hospital Sto. António para lá deixar dois sacos e a Manuela e o Miguel vão até à Rua Escura deixar uns trinta sacos.
Nós ficamos em baixo à espera do pessoal. Aos poucos vão aparecendo, uns querem roupa outros estão mais interessados nos bolos deliciosos que temos.
Não aparece mais ninguém, está a fechar as malas e seguir para o Bairro do Cerco.
Já lá estão à nossa espera.
Começamos a ir a este Bairro sensivelmente um ano atrás. No início apareciam poucas pessoas mas presentemente a aderência já é bem maior.
São pessoas que têm um tecto onde dormir mas, uns mais que outros, com grandes dificuldades em sobreviver.
Aparecem sempre algumas crianças, apesar do avançar da hora.
Depois de distribuirmos um sem número de sacos ternura, bolos, sandes e roupa e com alguma conversa à mistura deixamos os nossos amigos e seguimos rumo ao Bairro do Aleixo.
O Bairro do Aleixo desde o início do ano está um pouco deserto, nem se compara ao número de pessoas que encontrávamos lá, nos anos transactos, era o Bairro com maior afluência.
Mas com as Brigadas da polícia e notícias que aquele Bairro vai ser demolido, muitos deles já estão a instalar-se noutros locais.
Neste Bairro muitos deles dormem na rua, aqui a miséria é bem mais evidente.
Um dos nossos amigos conta-nos, muito feliz, que gosta muito da roupa da “nossa boutique” e que faz questão de andar o mais bem arranjado possível.
Hoje temos muitas sandes e bolos, o que nos faz muito felizes pois, podemos dar a cada um dos nossos amigos um número superior de cada uma daquelas coisas.
Depois do Aleixo seguimos rumo à PT (Pinheiro Torres), uma fábrica abandonada que alberga um sem número de sem-abrigo na sua maioria toxicodependentes.
É o limiar da desgraça, são os que vivem em piores condições. No olhar deles já não se deslumbra um resto de esperança. Consegue-se tirar sorrisos momentâneos quando vêem os bolos que trazemos, quanto mais creme melhor, e se a variedade for muita, nem sabem o que escolher!
O doce é muito importante para eles.
Para finalizar nosso percurso seguimos para a Pasteleira, um bairro que aumentou imenso o número de frequência de pessoas com o decréscimo no Aleixo.
Como é nossa última paragem queremos distribuir tudo que ainda temos, e neste dia foi bastante. Muitas vezes não temos essa sorte, chegamos quase de mãos vazias.
Mas esta noite não, esta noite podemos deliciar os nossos amigos com uma grande quantidade e variedade de bolos, alguns comeram um sem número de natas, uma senhora levou dois sacos cheios de bolos e sandes, diz que é para os netos, que estes vão pensar que é aniversário de alguém.
É sempre bom podermos contribuir para um pouco de felicidade na vida das pessoas.
Depois de levarem tudo o que podiam e queriam ainda sobraram alguns bolos e sandes. O que fazer? Claro, passamos novamente pelo PT e deixamos para nossos amigos de lá.
No fim juntamo-nos todos um pouco acima da Pasteleira.
Primeiro temos de cantar parabéns ao José , não trouxe bolo mas não faz mal, com uns suspiros e coca-cola fazemos a festa. O que conta é a intenção!
Acabamos com nossa oração de despedida e depois os beijinhos e abraços da praxe.
Mais uma noite de dever cumprido que apesar dos contratempos iniciais, a noite correu muito bem, tivemos tudo com fartura para poder distribuir aos nossos amigos e até a chuva ajudou!
Bem, daqui três semanas voltamos, cheios de vontade de dar e com muito amor no coração. Até lá.
(Rute)